"A maior parte das pessoas, seduzidas pelas aparências,
deixam-se tomar pelos engodos enganadores de uma baixa e servil complacência;
tomam-na por um sinal de uma verdadeira amizade;
e confundem, como dizia Pitágoras, o canto das sereias com o das musas.
Crêem, digo eu, que produz a amizade, como as pessoas simples pensam que a terra fez os Deuses;
em lugar de dizerem que foi a sinceridade que a fez nascer como os Deuses criaram os sinais e as potências celestes.
Sim! É de uma força tão bruta que a amizade deve provir, e é de uma bela origem a que tira de uma virtude que dá origem a tantas outras.
As grandes virtudes, que nascem, se ouso dizê-lo, na parte da alma mais subida e mais divina, parecem estar encadeadas umas nas outras.
Que um homem tenha a força de ser sincero,
e vereis uma certa coragem difundida em todo o seu carácter,
uma independência geral,
um império sobre si mesmo igual ao exercido sobre os outros,
uma alma isenta das nuvens do temor e do terror,
um amor pela virtude,
um ódio pelo vício,
um desprezo pelos que se lhe abandonam.
De um tronco tão nobre e tão belo, não podem nascer senão ramos de ouro".
(Baron de Montesquieu)
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